Copasa economiza 30 milhões de reais em gastos com energia elétrica

Empresa adquiriu energia no mercado livre, ambiente competitivo de negociação

A Copasa economizou, em 2023, 30 milhões de reais em gastos com a compra de energia elétrica. Essa economia foi possível graças à nova estratégia da Companhia de aderir ao chamado Mercado Livre de Energia, ambiente competitivo de negociação de energia elétrica, o que permitiu a compra do insumo por meio de processo licitatório com disputa aberta de preço, obtendo vantagem significativa em relação ao mercado regulado.

No Mercado Livre ou Ambiente de Contratação Livre (ACL), em vez de comprar energia das concessionárias de distribuição locais às quais estão ligados, ou seja, no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), o suprimento pode ser feito diretamente de geradores ou comercializadores, por meio de contratos bilaterais com condições livremente negociadas, como fonte de energia, preço, prazo e volume. Ou seja, há um leque maior de opção de fornecedores e a negociação pode ser feita de acordo com as necessidades da empresa.

A energia elétrica é o segundo maior custo da Copasa (atrás apenas das despesas com pessoal), uma vez que o insumo é fundamental para os processos de tratamento e distribuição de água e também para o tratamento e coleta do esgoto. Em 2023, a Companhia consumiu, aproximadamente, 978 gigawatts hora de energia – o suficiente para abastecer cerca de  1,3 milhão de pessoas por ano, gerando uma despesa da ordem de R$ 611 milhões.

O superintendente de Desenvolvimento Tecnológico, Inovação e Engenharia, Marcus Tulius de Paula Reis, explica que a estratégia de migração para o Mercado Livre é importante em um cenário em que os gastos no mercado cativo são cada vez mais relevantes “devido aos constantes reajustes e incidência de bandeiras tarifárias e à elevação do próprio consumo devido ao aumento de demanda de água pelo crescimento natural das populações”.

Ele explica ainda que “existe uma certa imprevisibilidade nas projeções anuais das despesas de energia no mercado cativo de energia, em razão de fatores externos não administráveis que incidem sobre o setor energético regulado, como crises hídricas e estiagens prolongadas, crescimento econômico do país, consumo geral de energia e participação de usinas térmicas, que podem impactar de maneira significativa as tarifas de energia a serem praticadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”. No Mercado Livre, há uma estabilidade maior em relação a essas flutuações de preço. Isso porque enquanto no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), a tarifa é totalmente definida Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no Mercado Livre, existe a possibilidade de negociação dos preços, que podem ser pactuados em contratos bilaterais.

Geração de valor
Na avaliação do superintendente da Copasa, esse “processo de migração para o mercado livre de energia tem potencial de geração de valor e ganhos para todas as partes interessadas, inclusive para os clientes da Companhia”, uma vez que parte da energia necessária para o tratamento e distribuição da água passa a ter menor custo e essas reduções de despesa são “capturadas nos procedimentos de revisão tarifária periódicos, despressurizando a tarifa, de modo a torná-las mais módicas a todos os clientes da empresa”.

Outra vantagem é que uma parcela dessa energia adquirida no Mercado Livre é limpa. Para este ano, 20% dessa energia será proveniente de fontes renováveis, reforçando o compromisso da Companhia com o meio ambiente. “Fato esse que vai resultar em ganhos tanto econômico-financeiros quanto ambientais, em absoluta aderência à agência ESG da Companhia (sigla que se refere às questões ambientais, sociais e de governança corporativa). Nesse sentido, a empresa pretende avançar rumo ao processo de descarbonização do seu modelo de negócio, reduzindo a pegada de carbono e a redução da emissão de gases de efeito estufa associados à sua prestação de serviços”, ressalta Marcus Tulius.

A Companhia fechou o ano de 2023 com 17 unidades consumidoras da Companhia no Mercado Livre, que representam 44% do consumo total de energia. Em 2024, 53% da energia que será consumida pela Copasa já está contratada para o suprimento de 26 unidades. É importante destacar que, de acordo com a regulamentação atual do setor do Ministério de Minas e Energia, nem todas as unidades consumidoras da empresa são elegíveis ao suprimento por meio dessa forma de aquisição, apenas aquelas que são atendidas em média e alta tensões.

Entre as unidades consumidoras da empresa que já fazem uso da energia adquirida no Mercado Livre está, por exemplo, o Sistema Rio das Velhas, em Nova Lima, responsável pelo abastecimento de mais de 2 milhões de pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Outro exemplo é a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Rio Arrudas, localizada em Sabará. Maior ETE do estado de Minas Gerais, a unidade trata um volume de esgoto equivalente a 80 piscinas olímpicas por dia e atende a uma população de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas.

A migração já foi feita também em unidades da empresa no interior de Minas. Por exemplo, em estações de tratamento de água de cidades como Montes Claros, Varginha, Araxá e Ipatinga a energia das principais unidades consumidoras já se encontram no mercado livre.

Com e entrada no Mercado Livre de energia, a Copasa se tornou, no ano passado, agente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão ligado à ANEEL que é responsável por viabilizar e operacionalizar a comercialização de energia elétrica no mercado brasileiro. A Companhia já comprou energia até 2028 e há planos de expansão para mais unidades consumidoras.

“Existe hoje dentro da Copasa todo um plano de modernização da sua matriz energética, que prevê a amplificação do movimento de migração para o mercado livre de energia, avançando para outras unidades consumidoras, além da manutenção da trajetória rumo à transição energética, como a expansão da geração solar fotovoltaica, avaliação da viabilidade do aproveitamento do biogás dos esgotos para a cogeração ou até mesmo para a produção do biometano”, explica Marcus Tulius.

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