Projeto de reúso implementado em ETEs possibilitará uma economia de 66 milhões de litros de água por ano
As obras de ampliação dos sistemas de reuso de água foram concluídas, neste mês de junho, em seis Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A iniciativa permitirá a economia de aproximadamente 66 milhões de litros de água potável por ano – o suficiente para encher cerca de 30 piscinas olímpicas. Com esse projeto a Copasa reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a eficiência no uso dos recursos hídricos.
Com investimento de R$ 735 mil, as obras, que tiveram início em maio de 2024, foram executadas simultaneamente nas ETEs Arrudas, Bandeirinhas, Justinópolis, Nova Contagem, Santa Luzia e Vale do Sereno. O sistema de reúso consiste basicamente em captar a água que já passou pelo tratamento do esgoto e redirecioná-la para processos internos da própria ETE, especialmente nas etapas de desidratação do lodo, que antes utilizava água potável. A medida representa uma economia significativa e um avanço importante na gestão sustentável da água.

O engenheiro Marcos Ribas, do setor de Engenharia de Projetos e Obras da Gerência de Tratamento de Esgoto Metropolitana da Copasa explica que o sistema de reúso será aplicado principalmente nos processos onde ocorrem a concentração dos sólidos e redução da umidade, com ajuda de polímeros, que são etapas que exigem grande volume de água para garantir a mistura ideal entre o polímero e o efluente. “Antes, utilizávamos água potável nesse processo. Agora, com a água de reúso, conseguimos manter a eficiência do tratamento e ainda reduzir significativamente o consumo de água limpa”, relata.
O superintendente de Tratamento de Esgoto Metropolitana, Albino Campos, conta que o sistema permite uma economia anual de quase 66 milhões de litros de água potável, o que equivale ao abastecimento mensal de um pequeno município com cerca de 1.200 habitantes. “É uma iniciativa que reduz custos, protege o meio ambiente e disponibiliza mais água potável para o consumo humano”, destaca.
De acordo com Marcos Ribas, a intenção da Copasa é ampliar o modelo para outras unidades e buscar novas parcerias. “Começamos com um projeto piloto na ETE Arrudas e em outras cinco unidades. A intenção é levar essa tecnologia a mais locais, inclusive por meio de parcerias com prefeituras. Esse tipo de reuso pode beneficiar não só o sistema da Copasa, mas também outras empresas e comunidades que buscam soluções sustentáveis”, afirma.

Segundo a engenheira Cheila Barbosa, na ETE Arrudas foram feitas adaptações que permitem aproveitar o efluente gerado na etapa de flotadores de lodo – responsável por realizar o adensamento do lodo excedente gerado na estação. “Desta etapa, o efluente é encaminhado para uso nos decantadores primários da ETE, onde é feita a limpeza de canaletas de coleta de escuma e no setor de desidratação do lodo”, detalha.
Cheila reforça que o projeto traz benefícios que vão além da operação das unidades. “Nesse primeiro momento, essa água é usada apenas internamente, nos próprios processos da estação. Mas, quando deixamos de consumir água potável, liberamos esse recurso para a população do entorno. O impacto é real, principalmente em períodos de maior demanda ou escassez”, pontua.
Nas demais ETEs, o reúso está concentrado na mistura com o polímero e na retrolavagem da centrífuga – uma etapa que também demanda grande volume de água e, agora, não dependerá mais do uso de água potável.
Além da economia e da eficiência operacional, o projeto tem uma importância estratégica para a sustentabilidade ambiental. “Além de economizar água potável e deixá-la para outros fins, contribuímos para que essa água seja devolvida tratada ao meio ambiente, mantendo o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos”, afirma Cheila.
A engenheira exemplifica que na ETE Arrudas a vazão de efluente tratado que é devolvido ao Rio Arrudas chega a 2.300 litros por segundo. “Esse volume é lançado no corpo hídrico com qualidade controlada, dentro dos parâmetros exigidos pela legislação ambiental”, declara.
Conscientização ambiental
Para além da operação técnica, a Copasa também tem investido em ações de educação e conscientização ambiental junto à população. Um dos destaques nesse sentido é o Centro de Educação Ambiental (CEAM), que funciona dentro da ETE Arrudas. O espaço recebe visitas guiadas de escolas, universidades e organizações, e tem como objetivo aproximar a comunidade do funcionamento da estação e dos benefícios que ela traz para o meio ambiente e a qualidade de vida da população.
“O CEAM é um espaço onde mostramos como deixamos de lançar esgoto bruto no rio e passamos a devolver um efluente tratado. Isso dá uma sobrevida ao rio, permite o retorno da fauna e transforma a relação das pessoas com o meio ambiente”, relata Cheila Barbosa. De acordo com a engenheira, um dos pontos mais visitados do CEAM é o aquário abastecido com água de reúso, onde vivem diversas espécies de peixes típicos do Rio das Velhas, como tilápia, surubim, piau três pintas, curimatã piauá, cascudo amarelo, carpa, pacu e piau branco.
Com capacidade para cerca de 10 mil litros, o aquário é uma vitrine da qualidade da água tratada. “É emocionante ver as crianças descobrindo que essa água, que abriga peixes, saiu do esgoto. Isso transforma a forma como elas enxergam o meio ambiente e o papel de cada um na sua preservação”, conclui Marcos.

Neste mês de junho, a Copasa e a siderúrgica Metalsider inauguraram, o Projeto Reúso na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Betim Central. Por meio de uma parceria com a siderúrgica Metalsider, essa iniciativa pioneira em Minas Gerais permitirá que os efluentes tratados na ETE Betim Central sejam utilizados como água nas atividades industriais, resultando na economia de 1,2 milhão de m³ de água tratada por ano – volume equivalente ao consumo anual de uma cidade com 20 mil habitantes ou 500 piscinas olímpicas.
O reúso de água é uma ferramenta primordial para mitigar os efeitos da escassez hídrica, reduzir a pressão sobre os recursos hídricos e aumentar a disponibilidade hídrica para o abastecimento público. A partir da parceria com a Copasa, a Metalsider, por exemplo, utilizará o efluente tratado na ETE Betim para atividades como a refrigeração dos fornos da siderúrgica, que dependem de água, substituindo parte da captação direta do Rio Betim.









